Em meio a um sentimento controverso, conflitante entre o amor e o ódio, e a falta de 'palitinhos' para contar quantas vezes fora chamado de infantil, mesmo já se achando mais maduro, ele não dormiu. Mochila na cabeça, acompanhada de um saquinho de gelo para amenizar a dor, e lá vai ele "caminhando, cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não".
_ Falei!
_ O que eu te disse?
_ O que eu pensei!
_ O que você pensou?
_ Que eu não deveria falar...
_ Então você não disse?
_ Não...
_ E não pretende falar nada?
_ Eu não ouvi, eu não vi, não vivi. Não é minha culpa!
_ Patético!
_ Somos!
Olhou de um lado para o outro e não viu nada. Atravessou a rua lenta, cautelosamente... Chegando à outra calçada se despiu e continuou andando. Nua. Desfilando. Ninguém a olhava, ninguém se importa, ninguém se incomodava. Como num estalo de consciência vestiu sua roupa e instantaneamente desapareceu no meio da multidão.
• "São Fantasmas Que Me Sopram Aos Ouvidos Coisas Que Eu Nem Quero Saber"
4 comentários Postado por Hugo Henrique às 23:55Ele começou a andar sem rumo em meio à escuridão... Achou alguns pinos e por puro instinto os derrubou. A chuva começou a cair e molhado em meio ao breu desmaiou no chão gélido de uma avenida. Confuso e sem forças, preferiu não levantar. Desejando fortemente que um carro o atropelasse, continuou ali estatelado, embriagado por seus pensamentos.
Cresceu numa família normal, viveu num ambiente nem tão normal. Nunca se achou igual a ninguém, sempre teve um modo de pensar e raciocinar diferente de todos, e por isso logo se enlameou de conflitos.
Não se importou. Pouco o influenciou o que pensaram ou o que disseram. Ele era assim e gostava de ser assim, era o que bastava pra ele. Tanta falta de importância para coisas sérias foi o que o levou ao estado que estava agora. Não só enlameado, mas desmaiado, abandonado, molhado, desacreditado...
Ele nasceu na Babilônia, foi criado pelos deuses, abençoado de uma inteligência diferenciada, de uma visão crítica aguçada. Ele era o cara. Mas no auge de sua soberba ele aprendera pois uma segunda lição: ser superior nem sempre é bom, estar por cima nem sempre é a melhor opção. Ele caiu!
Não, não me escute! Não tenho nada a dizer! Foi tudo culpa minha e nem desculpas me restam mais! Pensei no que você me disse ontem a noite, e sabe de uma coisa? Você está certa, a culpa foi minha por me iludir, por me deixar levar, por não medir as consequências... Eu sabia das consequências.
Agora aqui estou, sentado, calado, o dia todo, todo o tempo... De que me servem minhas idéias, de que me serviram meus sonhos? De que me serve o mundo se ele não faz o menor sentido sem você?
Não quero bancar a criança mimada, muito menos o babaca apaixonado, mas sinto sua falta! Eu te quero... Eu te queria...
Querida se prepare, segue aqui o que eu escrevi pra você!
Sabe de uma coisa?? Amar é uma coisa, depender é outra completamente diferente! E eu não dependo de você!
Será que podemos acertar as contas agora? Será que você pode parar de mentir por alguns segundos enquanto conversamos sobre algumas coisas sérias?
Sabe de uma coisa? Eu não me sinto mais bem andando do seu lado, sabe por quê? Porque você não é mais a mesma e esse seu falso senso-moralismo me chateia! Me incomoda!
Quer saber de uma coisa? Você é tão infantil que até mesmo eu posso te chamar assim! Infantil!
Se lembra de tudo o que você fez por mim e eu fiz por você? Foi tudo inútil, não é mesmo? Então não cante vitória! Ninguém ganhou! Isso não é um jogo!
Aprenda a fingir, seus olhares e suas palavras continuam demonstrando o que sua boca não tem coragem de dizer! Covarde! Você acha que toda essa sua falsidade faz mal pra mim? Você esta se auto-envenenando!
Me escuta! Você está me perdendo e a culpa dessa vez não é minha!
Afinal o que você procura? Um puto? Um garoto de programa? Desculpe, mas não faço esse tipo de serviço!
Ahhh, e quanto a você? Nem a citarei! Você nunca teve muita importância pra mim! Você fede!
Guarda-chuvas de um lado, bandeirinha de outro. E lá vão eles! Pai e filhos unidos por um único propósito: Vencer!
_ Como isso aqui é grande! - Indaga um dos meninos.
_ Pois é. - Concorda o segundo irmão surpreso - Da telinha da televisão parecia tão pequenininho...
Os rostinhos radiantes dos dois meninos ainda estavam contemplando o lindo estádio quando o brilho de seus olhares começou a ser ofuscado.
_ E agora, papai?
_ Torcer não é vencer, meu filho!
_ Mas, o que eu sinto dentro de mim é tão ruim, meu pai... - Confessou o mesmo menino.
_ Mas passa, tudo na vida passa. - Respondeu seca e rispidamente o pai, sem saber, mesmo sabendo, que há coisas que o tempo jamais poderá apagar.
Os dias estão passando e eu ainda tenho muita coisa pra fazer! Eu estou congelado! Petrificado! Imóvel como uma estátua.
Sabe aquela coisa de viver o hoje e entregar pra Deus o amanha? Pra mim é muito difícil. Muito! Eu tenho certa dificuldade de concluir etapas. Eu gosto mesmo é de tentar chegar aonde eu quero de uma vez. Será isso uma qualidade?
A verdade é que eu sou muito ansioso. Mimado. Convencido. Agitado. E acabo me esquecendo que é legal ir vencendo batalha por batalha até ganhar a Guerra. Afinal, uma experiência soma experiência à outra!
Fases da vida. Já pulei tantas... E quer saber? O tempo que eu perdi me dedicando demais em umas me falta hoje em outras... É verdade que perdi muito tempo com besteira, coisas sem importância...
Ah se eu voltasse no tempo... Ah se eu pudesse voltar no tempo... Eu faria as mesmas escolhas! Porque se não as fizesse não teria conhecido todas essas pessoas maravilhosas que eu conheço hoje!
